Hotelaria desvinculada das grandes cadeias são responsáveis por 64% dos quartos disponíveis no País
Apesar do avanço das grandes redes, o mercado hoteleiro ainda é muito desconcentrado no País. Os negócios independentes
(desvinculados dos grupos do setor), que hoje contam com ajuda da internet para serem localizados, são responsáveis por 64% dos
quartos.
Os dados são do Fórum de Operadores Hoteleiros e Associação Brasileira de Resorts, compilados pelo professor Cláudio Felisoni, da
Fundação Instituto de Administração (FIA) Labfin Provar.
Conforme o levantamento, hotéis e flats de marcas internacionais são responsáveis por 17,9% dos quartos e os das marcas nacionais,
17,3%. Já os independentes com 20 dormitórios ou mais lideram em participação com folga – têm 57,1%.
Já os pequenos hotéis independentes e que têm até 20 quartos respondem por 7,7%.
O ranking de 2017 da Panrotas, empresa de inteligência de mercado de viagens
e turismo, mostra que o gigante da hotelaria é a francesa Accor, com 35.468 quartos e 194
hotéis. Em segundo aparece a Atlântica, com números pela metade (respectivamente, 15.764
e 90)
A Accor é tão forte em hotelaria que, entre suas marcas, três delas são as maiores redes do
País – Ibis, Mercure e Ibis Budget. A Panrotas se baseou também em dados das duas
entidades consultados por Felisoni.
Praia Grande
Mesmo com concorrentes tão fortes, pequenos hoteleiros sobrevivem e ganham espaço. É o
caso do construtor Renato Strelow, que no ano passado inaugurou o W Praia Hotel, no
Boqueirão, em Praia Grande.
Ele já construiu um edifício com 64 flats de dois quartos em Campos do Jordão e ofereceu a
uma rede grande, mas o critério desse grupo era trabalhar com mais de 100 unidades.
Porém, em Praia Grande, Strelow mergulhou na hotelaria. Ele admite que iniciou o negócio
como qualquer empresário dos últimos anos no País, “meio pessimista”, mas que foi
surpreendido conforme os meses avançaram.
De acordo com ele, a ocupação chega a 80% aos sábados e domingos e cai entre 40% e 45%
nos dias úteis. “Busquei oferecer um hotel de gestão familiar, com atendimento personalizado.
Não tenho concorrente com o perfil do meu hotel em Praia Grande”, afirma o hoteleiro.
Gestão familiar
Aos 68 anos, Strelow modificou sua vida profissional. Levanta bem cedo, às 5h30, para cuidar pessoalmente das compras do hotel,
como os alimentos. Mais três parentes ajudam a tomar conta da administração. O empreendimento gerou 16 empregos diretos.
A estada em Praia Grande é tradicionalmente de imóveis de temporada, mas Strelow conta que recebe profissionais de vendas a serviço
na Cidade e turistas que não gostam de alugar uma casa ou apartamento para curta hospedagem.
Ele já hospedou franceses que vieram instalar cabo de fibra ótica na região e estrangeiros que vieram a turismo mesmo.
Nos tempos atuais de internet, o que pesa a favor desses pequenos hoteleiros são os sites e aplicativos de viagens, que facilitam a
localização de pechinchas. “Já conquistamos uma boa avaliação no Booking, com nota 9.0”, comemora Strelow.
Reclamações na internet
Todo esforço da gestão de um hotel pode ir para o ralo se as reclamações dos hóspedes se multiplicarem em sites como o Trip Advisor
e Booking.
“Uma reclamação feita em dez segundos no Trip Advisor pode acabar com sua marca. Antes da reserva, é lá que os hóspedes olham
primeiro”, afirma o professor da FIA LabfinProvar Cláudio Felisoni.
Nessas avaliações, quem lê pode até definir prioridades, como começar a visualizar primeiro as piores notas.
O professor inaugura em agosto a turma de MBA de gestão em hotelaria da escola de negócios paulistana. Segundo ele, diferentemente
de outras áreas da economia, como a indústria, na hotelaria o cliente fica dentro da operação. Uma falha no atendimento gera uma
decepção imediata no hóspede.
Por isso, Felisoni diz que o hoteleiro precisa investir na qualidade e rapidez do atendimento e ser eficiente na gestão geral do
empreendimento.
Para poucos
Os aplicativos de viagens ajudam a localizar pechinchas e também hotéis de primeira linha. O Fasano, em Ipanema, no Rio de Janeiro,
também utiliza essas ferramentas.
Segundo o Booking, para 1o. de julho, a diária do Fasano para dois hóspedes no quarto mais barato, com duas camas sem vista para o
mar, custa R$ 1.729,35. Os mais abastados podem pagar R$ 4.368 se quiserem ficar em uma suíte de frente para a praia.
Já o Belmond Copacabana Palace está mais em conta. A diária mais barata, também para dois hóspedes no dia 1o, custa R$ 1.202,25
e, a mais cara, R$ 2.567,25.
Dica
O professor Claúdio Felisoni recomenda que os pequenos hotéis busquem a diferenciação. Para isso, devem incorporar novas
tecnologias e investir em formas de gestão e qualidade
Fonte: Portal Tribuna
Pousada da Cuia/Hotel da Cuia - Cruz Alta.
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